Diagnóstico de TEA e preconceito: terapeuta e jornalista contam desafios de viver com autismo no interior de SP

  • 02/04/2026
(Foto: Reprodução)
Jornalista com TEA cria podcast sobre autismo como forma de inclusão no interior de SP Para além do diagnóstico, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) enfrentam desafios diários que podem ser associados de maneira equivocada à "falta de educação". Nesta quinta-feira (2) é celebrado o Dia Mundial do Autismo, como forma de incentivar a inclusão e a conscientização ao tema. A distância física que separa a terapeuta Vanessa Silva de Oliveira, de 42 anos, do jornalista João Aoki, de 32 anos, é de quase 500 quilômetros, considerando que uma mora em Presidente Prudente (SP) e o outro mora em Sorocaba (SP). 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp No entanto, algo une os dois indiretamente: ambos foram diagnosticados com autismo nível 1 de suporte. No caso de João Aoki, o laudo veio quando ele tinha 14 anos, enquanto o laudo de Vanessa veio aos 39 anos. Ao g1, a terapeuta relembra como foi conviver com a condição por tanto tempo sem saber nomeá-la. "Eu trabalhei por 20 anos na área comercial e financeira e sempre enfrentei desafios, como dificuldade em contato visual e me distraía fácil, perdia o foco." "Nós, autistas, somos muito intensos em tudo: trabalho, estudo, relacionamento. Então, é mais difícil para a gente lidar com decepção, frustração, porque, quando começamos alguma coisa, seja o que for, é como se a nossa vida estivesse ali, então não tem a opção de desistir ou de dar errado", descreve Vanessa. Vanessa Silva de Oliveira, de 42 anos, é terapeuta em Presidente Prudente, diagnosticada com TEA Vanessa Silva de Oliveira/Arquivo pessoal LEIA TAMBÉM: Mulher cega se forma em massoterapia e relata desafio ao aplicar acupuntura: 'Achava que jamais daria conta' Jovem com Síndrome de Down se apaixona por fotografia e sonha com carreira no interior de SP: 'Sou igual a todo mundo' Adolescente com autismo escreve livro em um dia e usa história para falar sobre bullying e superação: 'Externar o que sinto' Características Segundo o Ministério da Previdência Social, o TEA é uma condição de saúde caracterizada por desafios na comunicação social e por padrões de comportamento repetitivos e restritos. No Brasil, cerca de 2 milhões de pessoas são diagnosticadas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No mundo, estima-se que aproximadamente 70 milhões de pessoas tenham TEA. O termo "espectro" reflete a ampla variação de manifestações do transtorno, que pode se apresentar de forma mais leve, permitindo uma vida independente, ou exigir suporte intenso. Diagnosticada há três anos, Vanessa conta que, em muitos casos, pessoas com autismo podem ser sinceras e essa característica pode ser confundida com grosseria. "A sociedade tem muito preconceito com o autismo em vários sentidos, gosta de rotular." "No caso do autista nível 1, é rotulado como 'quase normal', 'nem parece ser autista' ou fica a imagem de que todo autista é um 'supergênio'. Outro fato é que o autista deixa de ser criança, o que a sociedade aceita forçada, e vira um adulto e, por isso, teria que deixar de ser autista. Não entendem que o autismo é para sempre", pontua. Um dos principais motivos para o preconceito, segundo Vanessa, é o fato de ela não parecer ter autismo, segundo os estereótipos. "Sofro muito preconceito por não parecer a autista que a sociedade espera que eu seja. Sofro porque a sociedade, que diz ser inclusiva, quer que eu me adapte ao mundo, que tem necessidades diferentes das minhas." Vanessa Silva de Oliveira junto dos dois filhos. O mais novo também é diagnosticado com TEA Vanessa Silva de Oliveira/Arquivo pessoal Convívio social Já para o jornalista de Sorocaba João Aoki, os desafios são relacionados às questões sociais, o que colaborou para que ele buscasse alternativas com apoio da família. "Minha mãe e meu padrasto correram atrás de tudo para o meu desenvolvimento, como psicopedagoga, atividades esportivas e psicólogos." "Quando me tornei maior de idade, fui desenvolvendo essa parte [social] aos poucos e consegui estabilizar o meu círculo social, sendo que foi a minha maior dificuldade na vida", descreve João. Como forma de ressignificar esse desafio sentido por João, ele escolheu falar sobre o autismo durante o trabalho de conclusão de curso em jornalismo, a partir de um livro-reportagem. "O livro aborda desde o meu diagnóstico de TEA até as minhas trajetórias acadêmicas em artes visuais e jornalismo. Foi um trabalho marcante em geral, porque foi uma trajetória vitoriosa na minha vida, que foi fazer duas faculdades importantes para mim." Além do livro, o jornalista produz e apresenta o podcast "Rota Atípica" com a mesma temática, a partir de convidados ligados direta ou indiretamente ao assunto, desde famílias atípicas até especialistas. Os episódios ficam disponíveis nas redes sociais. Jornalista de Sorocaba (SP) João Aoki foi diagnosticado com TEA aos 14 anos Reprodução/João Aoki As gravações ocorrem no Laboratório de Comunicação (LabCom) da Universidade de Sorocaba (Uniso), onde João foi aluno e trabalha atualmente como técnico. Nas apresentações, João "divide" o microfone com Milega Rodrigues, também jornalista, que está inserida nesse universo a partir da vivência do irmão diagnosticado com TEA nível 3 de suporte. "Está sendo incrível e uma experiência de muito aprendizado estar à frente de videocast/podcast, além dos boletins gravados na Rádio Uniso. Foi uma ideia que apresentei à coordenadora e professora Evenize Batista e está dando certo, com conteúdo inclusivo e muitas histórias para conhecer", continua. Sobre o Dia Mundial do Autismo, João descreve a importância da data, principalmente para ele: "Pois sei o quanto é difícil praticar a inclusão nos dias de hoje, ter mais informações para as pessoas que têm filhos atípicos e nem sabem o diagnóstico correto". No caso da terapeuta de Prudente, Vanessa é mãe de uma menina de 14 anos e de um menino de oito, que, assim como ela, também é diagnosticado com TEA nível 1, além de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e superdotação. "O autismo não tem cura, pois não é uma doença, é um transtorno, uma maneira diferente de o cérebro funcionar. Seguir um padrão específico realmente é impossível quando sua mente funciona de forma diferente", completa Vanessa. João Aoki apresenta um podcast sobre o universo autista, o 'Rota Atípica' Reprodução/Anna Sophia Daquila/LabCom Primeiros sinais do TEA Para entender melhor sobre o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista, o g1 conversou com a neuropsicóloga Aline Tanaka, de Presidente Prudente. A especialista reforçou que os primeiros sinais do TEA costumam aparecer nos primeiros anos de vida, a partir de: Déficits na comunicação e interação social: pouco contato visual, ausência de resposta ao nome, dificuldade em compartilhar interesses (ex: não apontar ou mostrar objetos); Padrões restritos e repetitivos de comportamento: movimentos estereotipados, apego excessivo a rotinas, interesses restritos ou incomuns. Além disso, podem ser observados atrasos no desenvolvimento da linguagem e dificuldade na reciprocidade socioemocional, conforme a especialista. "O diagnóstico é fundamental para direcionar intervenções baseadas em evidências, garantir acesso a direitos e serviços especializados e favorecer o planejamento de estratégias individualizadas." Conforme a especialista, do ponto de vista psicológico, o diagnóstico não rotula, mas orienta o manejo clínico e funcional do indivíduo. Além disso, pessoas com TEA podem viver sem o diagnóstico, principalmente em quadros leves. "Alguns indivíduos podem chegar à vida adulta sem diagnóstico formal. No entanto, isso pode gerar dificuldades persistentes em habilidades sociais, maior risco de ansiedade, depressão e sobrecarga emocional e sensação de inadequação ou incompreensão de si mesmo", reforça Aline. Sem a identificação adequada, a pessoa com TEA tende a desenvolver estratégias compensatórias (masking ou camuflagem social), que podem ser psicologicamente exaustivas, segundo a especialista. O autismo é classificado em três níveis de suporte: Nível 1 (leve): necessita de suporte. Dificuldades sociais mais sutis, rigidez cognitiva; Nível 2 (moderado): necessidade de suporte substancial. Comunicação mais prejudicada e comportamentos repetitivos mais evidentes; Nível 3 (severo): necessidade de suporte muito substancial. Comprometimentos significativos na comunicação e autonomia. "Os sinais variam em intensidade, mas envolvem prejuízos na comunicação social e flexibilidade comportamental", afirma a neuropsicóloga. Aline Tanaka reforça que falar sobre o tema é uma forma de cuidado coletivo e promoção de saúde mental. "A atuação psicológica e neuropsicológica visa não apenas reduzir dificuldades, mas também potencializar habilidades, promover autonomia e qualidade de vida ao longo do desenvolvimento", finaliza. Terapeuta e jornalista com TEA relembram desafios no interior de SP Reprodução Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-e-regiao/noticia/2026/04/02/diagnostico-de-tea-e-preconceito-terapeuta-e-jornalista-contam-desafios-de-viver-com-autismo-no-interior-de-sp.ghtml


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